• ECAPE

Pré secado

Há duas maneiras principais de conservar forragens, o primeiro método sendo a conservação por desidratação, conhecida como fenação, e o segundo método é o de conservação por acidificação, conhecido como silagem. Cada um dos métodos citados podem ter variações tecnológicas e de manejo dentro do mesmo, mas partem de um desses princípios básicos. Nesse contexto temos um método que podemos descrever como intermediário aos dois anteriormente citados, o pré-secado.

Vamos esclarecer que o pré-secado é um meio termo entre a silagem e o feno, mas que causa certa confusão. O pré-secado ou silagem pré-secada, é na verdade uma silagem, pois está sujeita ao processo de fermentação. Embora seja um meio termo entre os dois métodos é caracterizada como uma silagem, pois quando falamos em silagem, a mesma passou por um processo fermentativo, diferentemente do feno que é conservado através da desidratação.

A principal diferença entre a silagem tradicionalmente conhecida e a silagem pré-secada, consiste em que nesta ultima, a forragem destinada a silagem sofre uma desidratação parcial antes de ser ensilada e seguir o processo de ensilagem. É valido ressaltar que para quando falamos em conservar uma forragem de forma fermentada, devemos nos atentar a três características, o conteúdo de MS que é utilizado para conservar, o nível de carboidratos solúveis em água e o poder tampão, sendo este ultimo muito importante, pois é responsável por dificultar a queda do pH do alimento conservado.

Quando falamos em fazer silagem de forragens tropicais e subtropicais, ou até mesmo de leguminosas, sem realizar a pré-secagem, o processo de fermentação é mais difícil, sendo um fator de risco para produzir uma silagem de qualidade, então esse manejo tem como objetivo reduzir um dos fatores de risco, que é a alta umidade.

O pré-secado é um material colhido com um valor nutricional adequado, passando pelo processo de emurchecimento antes da fermentação. Assim como na silagem os seus níveis de matéria seca (MS) e proteína, são dependentes da forrageira utilizada para realizar a conservação, assim como outros fatores, por exemplo, o tempo de emurchecimento e o clima em que é produzido. Podemos encontrar pré-secados com uma matéria seca variável entre 35 a 65%.

Tem sido discutido sobre as técnicas e aditivos indicados para a melhoria do processo fermentativo, com o aumento do interesse para utilizar gramíneas tropicais e subtropicais para fazer silagem, a técnica de emurchecimento (desidratação parcial da forragem antes de fazer a ensilagem) é uma solução que vem sido estudada e adotada.

A silagem pré-secada tem sido armazenada em fardos envolvidos com filme plástico frequentemente, ao invés de silos trincheiras, bags ou salsichas, os quais não permitem a flexibilidade para transporte e comercialização, que se tem quando enfardamos em fardos. Esse fato de armazenar a silagem como feno pode ser um dos motivos que podem causar confusão sobre a terminologia adequada.

É uma opção para produtores de feno, para os que produzem, é um problema grande o tempo de secagem do mesmo, onde muitas vezes é restrito, essa alternativa é interessante do ponto de vista técnico pois reduz a incidência de chuvas sobre o material cortado no campo durante a secagem, sendo uma vantagem prática muito importante, além de agilizar o período de secagem.

Podemos citar como exemplo os produtores, no sudeste da Austrália, onde é uma área que concentra produtores de leite e muitos produtores que produzem feno, porém essa região tem uma alta incidência de chuvas, a alternativa técnica que os produtores adotaram foi o uso da silagem pré-secada, sendo destaque a velocidade de secagem a campo, sendo considerada um ponto fundamental do sistema (MONTEIRO, 1999).

No Paraná, na região de campos gerais, região pioneira na ferramenta, e atualmente a região que mais ensila forragens utilizando a pré-secagem, as plantas mais utilizadas para a silagem é azevém, triticale, alfafa e aveia. Do total de matéria seca ofertada as vacas leiteiras da região, 65% provem da silagem pré-secada de azevém ou aveia e 35% é proveniente da tradicional silagem de milho (MONTEIRO, 1999).

A silagem tradicional ou o feno ainda são muito utilizados, e são ótimas ferramentas, os pré-secados vem ganhando espaço e é uma alternativa estratégica para solucionar ou diminuir o impacto de alguns problemas encontrados, nos métodos tradicionais.





Referencias bibliográficas

Beefpoint. Silagem pré-secada parte 1/2. Disponível em: < https://www.beefpoint.com.br/silagem-pre-secada-parte-12-8195/>

Meri, L. Produzir pré-secados não é tão simples quanto se parece: uso de inoculante especificamente desenvolvido para pré-secados. 2017. Disponível em: < https://www.milkpoint.com.br/empresas/novidades-parceiros/produzir-presecados-nao-e-tao-simples-quanto-se-parece-uso-de-inoculante-especificamente-desenvolvido-para-presecados-105252n.aspx#:~:text=conserva%C3%A7%C3%A3o%20por%20acidifica%C3%A7%C3%A3o%20(ensilagem).,silage%20(%3D%20silagem%20em%20ingl%C3%AAs).>.

MONTEIRO, A. L. G. Silagem Pré-secada. In: Simpósio sobre Nutrição de Bovinos, 7 (1999) Piracicaba). Anais: Alimentação Suplementar / Editado por Aristeu Mendes Peixoto… [et al.] – Piracicaba: FEALQ. 1999.

249 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo