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Momento da dessecação


O Brasil é um país extremamente produtivo para o agronegócio, tendo um grande potencial de aumentar a produção agrícola sem que áreas sejam desmatadas para exercer a atividade. Porém, para que ocorra esse aumento, são necessárias algumas ações nas áreas agricultáveis, visando proporcionar melhores condições físicas e químicas de solo. Estima-se ainda que 70% das áreas de pastagem do país estejam em algum estado de degradação (EMBRAPA).

Sem a utilização de práticas de conservação do solo, correção de acidez e adubação das áreas, aliado a utilização de capins rústicos, os produtores que produziam em um sistema de pecuária extensiva, tiveram a falsa esperança de que as pastagens não necessitam de cuidados, e até mesmo independem de correção de acidez e adubação para terem uma boa produtividade.

Atualmente tem-se a consciência e estudos que nos mostram as exigências nutricionais e de manejo de cada forrageira e cereal produzido, sabe-se ainda da importância de cada etapa do processo para alcançar os níveis produtivos exigidos pela cadeia produtiva e concorrência de mercado atual. Como exemplo, temos o Sistema de Integração Lavoura Pecuária - ILP bem desenvolvido, no qual os animais devolvem ao solo até 90% dos nutrientes extraídos. Sabendo da importância de todos os processos, hoje abordaremos a dessecação das culturas antecedentes, um passo muito importante para garantir uma boa produtividade no próximo ciclo produtivo.

A dessecação das pastagens para formação da palhada é um momento extremamente importante e para isso, alguns pontos devem ser ressaltados. De maneira geral, gramíneas são mais recomendadas para essa finalidade, pois possuem uma quantidade desejável de produção de massa seca, favorecendo a relação C:N (Carbono:Nitrogênio) que irá impactar no tempo de decomposição da palha e, consequentemente, no tempo que o solo terá cobertura morta. Também é importante ressaltar que a quantidade de palhada na área, influencia indiretamente na produtividade da cultura a ser implantada em sucessão, ou seja, tanto o excesso de palha que proporciona maior atividade microbiana, quanto a falta dela, que resulta em um solo mais exposto à chuva, radiação solar, transporte de partículas por enxurrada e que consequentemente terá uma maior incidência de plantas daninhas e provavelmente maior compactação do solo, dessa forma, em ambos os casos temos impactos na produção.

A degradação dos resíduos gera um aumento na matéria orgânica que passa a ser fonte de energia para os microrganismos, além de contribuir para o aumento de fertilidade do solo e também uma melhor estruturação do mesmo.

A dessecação pré-plantio se faz fundamental quando o objetivo é reduzir perdas na produtividade. As plantas daninhas são muito hostis à lavoura e muitas delas de difícil controle, porém este pode ser realizado de forma eficiente através da manutenção da cobertura vegetal na entressafra e posterior cobertura morta da área. Além das plantas daninhas se disseminarem rapidamente elas tem alta capacidade de absorção de água e nutrientes no solo e consequentemente acabam competindo com a cultura por espaço, luz, água e nutrientes.

Nesse sentido, o uso da palhada, ou seja da cobertura morta, para ter os benefícios citados e sua expressão na cultura sucessora, traz alguns cuidados que se deve ter para o correto manejo, como não deixar palha em excesso, pois esse excesso torna o plantio muito dificultoso e nem palha em baixa quantidade , sendo hoje comprovado que a palhada “ideal” seria em torno de 3 a 4 toneladas de MS/ha.

A dessecação desempenha uma grande função dentro dos nossos sistemas de produção, visto que esta possibilita a manutenção e exploração de cobertura vegetal no solo por um período maior. Sendo assim a utilização do dessecante, em altura residual das plantas adequada e a operação correta do mecanismo, dispensa o uso de implementos agrícolas que revolvam o solo para a incorporação da palha, beneficiando com uma maior preservação do solo, maior manutenção de umidade para o plantio, e ao decorrer dos anos maior acúmulo de matéria orgânica, que é um dos componentes fundamentais da fertilidade do solo. É importante salientar que deve-se, durante a operação de dessecação, seguir a recomendação técnica, sem utilizar subdoses nem superdosagens, para evitar uma série de problemas.

Nesse contexto, a utilização dessa ferramenta é muito benéfica sempre que utilizada da forma correta, favorecendo nosso sistema e contribuindo para uma alta produção e assim como qualquer ferramenta que temos no nosso sistema de produção, deve ser utilizada com planejamento e propósito. A manutenção de cobertura vegetal é um dos fatores importantes no modelo de sistema de plantio direto, este que é um sistema responsável por um grande aumento de produção e também preservação do solo. E você, já tem o seu sistema de sucessão de culturas planejados? Está utilizando a cobertura vegetal e a dessecação ao seu favor? Está tendo problemas com plantas invasoras? Chama a Ecape e vamos resolver!





Referências bibliográficas:

Artigo - Sim! Seu pasto é uma lavoura!

Degradação, Recuperação e Renovação de Pastagens

http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Materia.asp?id=25967&secao=Colunas%20e%20Artigos

https://boaspraticasagronomicas.com.br/boas-praticas/dessecacao-pre-plantio/#:~:text=Desseca%C3%A7%C3%A3o%20pr%C3%A9-plantio%3A%20pr%C3%A1tica%20ajuda%20a%20evitar%20plantas%20daninhas%20e%20pragas


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