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Milho irrigado e a alta produtividade


A irrigação é uma prática milenar na agricultura, iniciando por métodos que utilizavam apenas a gravidade, foi essencial para o desenvolvimento dos primeiros centros urbanos. Hoje, assume ênfase na referência tecnológica para sua otimização,tendo o papel fundamental no aumento da oferta de alimentos e na garantia da segurança alimentar e nutricional da população mundial. Utilizando equipamentos simples aos mais sofisticados, suprindo a deficiência total ou parcial de água nas culturas introduzidas, tendo o fornecimento artificial de determinada quantidade de água ao solo em uma área específica.

A fim de suprir a prática da irrigação nas diferentes áreas da agricultura, é de suma importância que índices de produtividades sejam alcançados. Para que tenha aproveitamento correto dos recursos naturais e não ocorram frustrações indesejáveis, se torna necessário o dimensionamento das estruturas de acordo com o que será visado, além de boas práticas com o manejo da água, sendo esses, fatores de grande importância para que as metas sejam alcançadas, necessitando também a avaliação das condições de clima, solo, culturas e situação socioeconômica de cada região.

Dentre os principais benefícios da irrigação, utilizando os manejos adequados, podemos destacar o aumento na produção agrícola, que, em determinadas culturas, pode ultrapassar 3x o convencional; a regularidade da disposição de alimentos, tendo maior vigor em períodos de estiagem; a exploração de locais de clima árido ou semi-árido; a diversificação de culturas e a maior rentabilidade;

Na cultura do milho, a irrigação sempre foi associada à produção de sementes,porém, atualmente a utilização de milho irrigado, visando à produção de grãos tem aumentado em muitas regiões, com altos rendimentos e rentabilidades significativas, considerando os preços atuais. Segundo informações da Emater-RS, lavouras convencionais de milho têm produtividade média de 95 sacas por hectare, enquanto as áreas irrigadas, por sua vez, podem atingir mais de 200 sacas por hectare.

O atual diretor do Departamento de Política Agrícola e Desenvolvimento Rural da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Ivan Bonetti, reitera que o Rio Grande do Sul precisa adquirir perto de 2 milhões de toneladas por ano, (que se somam às cerca de 5 milhões de toneladas produzidas localmente) para atender às criações de aves, suínos e bovinos de leite do estado. Ainda, segundo ele, é preciso importar milho do centro-oeste para atender à demanda do estado, ocasionando um preço maior ao chegar aqui, e esse problema se agravou ainda mais na última safra, devido a redução de cerca de 30% no total colhido em território gaúcho, em razão da estiagem.

O milho é considerado uma cultura que demanda muita água, mas também é uma das mais eficientes no uso dela , isto é, produz uma grande quantidade de matéria seca por unidade de água absorvida.

Para começar um sistema de irrigação, tem que considerar diversos fatores como a quantidade de chuva na região e a sua distribuição, o resultado que vai proporcionar na produção, a quantidade de água que a cultura necessita e a qualidade e disponibilidade de água existente na propriedade

O fator mais importante, que determina a necessidade de irrigação de uma certa cultura em uma região, é a quantidade e distribuição das chuvas, além disso, outras vantagens são o aumento da produtividade, a melhoria da qualidade do produto e a redução do risco do investimento feito na atividade agrícola.

O uso da tecnologia de irrigação é de grande importância no aumento da produtividade, mas para que a cultura do milho expresse sua capacidade máxima de produção, deve ser utilizado em conjunto, as demais tecnologias atualmente encontradas no mercado, como uso de fertilizantes, controle fitossanitário, uso de sementes melhoradas mais responsivas, uso de máquinas e implementos, sistemas de produção ajustados à conservação de água e solo, dentre outros.

Para decidir o tipo de sistema a ser implantado, deve-se levar em consideração, basicamente, o tamanho da área a ser irrigada. Por exemplo, em áreas maiores, com topografia de encostas com baixa declividade ou plana, se adaptam melhor ao sistema pivô central ou linear móvel ou, em alguns casos, aspersão por autopropelido. Entretanto, em áreas menores, como as mais utilizadas em agricultura familiar ou orgânica, que também são muitas vezes usadas para cultivos de milho especial (por exemplo, milho-verde ou milho-doce), o sistema por aspersão convencional ou em malhas poderia ser o mais adequado.

Basicamente os métodos de irrigação mais utilizados são: superfície, aspersão e localizada. Para cada método, há dois ou mais sistemas de irrigação, que podem ser empregados. A razão pela qual há muitos tipos de sistemas de irrigação é a grande variação de solo, clima, culturas, disponibilidade de energia e condições socioeconômicas para as quais o sistema de irrigação deve ser adaptado.

Para a cultura do milho, o sistema de irrigação por superfície mais apropriado é o de sulcos, os quais são localizados entre as fileiras de plantas, podendo ser um sulco para cada fileira ou um sulco para duas fileiras. Nos terrenos com declividade de até 0,1%, os sulcos podem ser em nível ou com pequena declividade. Para declividades de até 15%, os sulcos podem ser construídos em contorno ou em declive, o que permite lances de sulcos com comprimento maior.

Já os sistemas mais usados de irrigação por aspersão são:

Aspersão Convencional, onde podem ser fixos, semi fixos ou portáteis. Nos sistemas fixos, tanto as linhas principais quanto as laterais permanecem na mesma posição durante a irrigação de toda a área. Em alguns sistemas fixos, as tubulações são permanentemente enterradas.

Nos sistemas semifixos, as linhas principais são fixas (geralmente enterradas) e as linhas laterais são movidas, de posição em posição, ao longo das linhas principais. Nos sistemas portáteis, tanto as linhas principais quanto as laterais são móveis.

Os sistemas semifixos e portáteis requerem mão-de-obra para mudança das linhas laterais. São recomendados para áreas pequenas, geralmente com disponibilidade de mão-de-obra familiar

Autopropelido, onde um único canhão ou mini canhão é montado num carrinho, que se desloca longitudinalmente ao longo da área a ser irrigada. A conexão do carrinho aos hidrantes da linha principal é feita por mangueira flexível. A propulsão do carrinho é proporcionada pela própria pressão da água

É o sistema que mais consome energia e é bastante afetado pelo vento, podendo apresentar grande desuniformidade na distribuição da água. Produz gotas de água grandes que, em alguns casos, podem causar problemas de encrostamento da superfície do solo. Existe também o risco de as gotas grandes promoverem a queda de flores e pólen de algumas culturas. É indicado para irrigação de áreas retangulares de até 70 ha, com culturas e situações que podem tolerar menor uniformidade da irrigação.

E pivô central, que consiste de uma única lateral, que gira em torno do centro de um círculo (pivô). Segmentos da linha lateral metálica são suportados por torres em formato de "A" e conectados entre si por juntas flexíveis. Um pequeno motor elétrico, colocado em cada torre, permite o acionamento independente dessas.

O suprimento de água é feito através do ponto pivô, requerendo que a água seja conduzida até o centro por adutora enterrada ou que a fonte de água esteja no centro da área. Pivôs podem ser empregados para irrigar áreas de até 117 ha.


Por último, no método da irrigação localizada, a água é em geral aplicada em apenas uma fração do sistema radicular das plantas, empregando-se emissores pontuais como gotejadores.

No sistema de gotejamento, a água é aplicada de forma pontual na superfície do solo. Os gotejadores podem ser instalados sobre a linha, na linha, numa extensão da linha, ou ser manufaturados junto com o tubo da linha lateral, formando o que popularmente denomina-se "tripa". A vazão dos gotejadores é inferior a 12 l/h.

A grande vantagem do sistema de gotejamento, quando comparado com o de aspersão, é que a água, aplicada na superfície do solo, não molha a folhagem ou o colmo das plantas.

Com isso, pode-se inferir que a implantação de um sistema de irrigação tem um preço relativamente significativo, e por isso é de extrema importância o dimensionamento ser bem feito. Além disso, outro fator relevante é o manejo da irrigação no dia a dia, onde é tomada a decisão dos dias de irrigar e as respectivas lâminas de água a aplicar por evento de irrigação.


Quer saber mais sobre esse assunto ou pretende implantar o sistema de irrigação na sua propriedade e não sabe se é viável, qual sistema vai usar, ou como vai manejá-lo???

Então entre em contato com a Ecape, podemos te ajudar!


Referências bibliográficas:

https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/milho/arvore/CONTAG01_72_16820051120.html

https://boaspraticasagronomicas.com.br/boas-praticas/irrigacao/

https://www.agrolink.com.br/culturas/arroz/artigo/a-necessidade-de-irrigar-o-milho_160130.html

https://www.spo.cnptia.embrapa.br/conteudo?p_p_id=conteudoportlet_WAR_sistemasdeproducaolf6_1ga1ceportlet&p_p_lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&p_r_p_-76293187_sistemaProducaoId=7905&p_r_p_-996514994_topicoId=1310


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