Infestação de carrapatos - como prevenir?


Em termos de cadeia produtiva da pecuária, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de produção. De acordo com dados divulgados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA, 2017), o rebanho bovino brasileiro atingiu 220 milhões em 2017, dos quais 400% foram nas últimas décadas. Vale destacar que 32% desse aumento ocorreu nas regiões centro e oeste do país. Um dos gargalos importantes enfrentados pelos pecuaristas na criação de gado de corte e leite é a existência do carrapato R. (B.) microplus e os efeitos negativos causados por esse ectoparasita.

O carrapato R. (B.) microplus sozinho tem causado mais de US $ 3 bilhões em perdas por ano na cadeia produtiva da pecuária brasileira (Grisi et al., 2014). Esta espécie de carrapato ainda é a única espécie no Brasil que tem causado grande preocupação na pecuária. Os danos causados podem ser atribuídos à perda de peso do animal e à redução da produção de leite ou carne, que se deve à intensa perda sanguínea e à irritabilidade causada por picadas de carrapatos.

Devido ao grande número de infestações por esses parasitas, a morte de animais também é uma realidade trágica que prevalece no sistema de produção de gado. É um carrapato que necessita de um único hospedeiro para completar seu ciclo de vida (Rocha, 1984). Em suma, o ciclo de vida de R. (B.) microplus pode ser dividido em duas fases, a fase parasitária e a fase de vida livre (ou fase não parasitária). O estágio parasitário vai desde a fixação da larva no hospedeiro sensível até atingir o estágio de verme, e as teleóginas subsequentes (fêmeas ingurgitadas) se desprendem. A partir deste momento, começa a fase de vida livre. Após cair no chão, a teleógina procura um local adequado e começa a botar os ovos, depois chocar os ovos e por fim a eclosão das larvas.

Por que ocorrem as infestações de carrapatos?

Um grande causador de prejuízos na economia agropecuária é o carrapato B. microplus, que chega a causar prejuízos bilionários por ano no Brasil, segundo o Ministério da Agricultura. Uma das causas para as infestações no inverno é a falsa segurança transmitida aos pecuaristas quando o clima está mais ameno, pois pode parecer que o clima não favorece a reprodução desta espécie, porém, as primeiras gerações podem surgir nestas épocas, e esse descuido pode causar uma infestação descontrolada no verão. Outro grande causador foi a seleção natural causada pelo uso não recomendado e, muitas vezes descontrolado, de carrapaticidas nas pastagens, gerando uma seleção de carrapatos cada vez mais resistentes a esses tipos de controle e deixando, gradativamente, mais difícil de preveni-los. O manejo adequado se torna indispensável para o melhor controle quando se trata de carrapatos, tendo em vista que o ciclo deles se inicia no solo, movimentar o gado na hora certa e um bom manejo das pastagens, é crucial. Além de tudo, o acompanhamento de um profissional experiente na área gera um ótimo resultado, caso contrário, as chances de haver uma infestação de carrapatos aumenta drasticamente.


Métodos profiláticos de controle:

Após toda essa informação dá até medo de tentar ‘’lidar’’ com esse problema mas, existem formas viáveis para evitar que tenhamos altos índices de infestação e, que isso vem a se tornar um problema, sabendo que cerca de 95% da população de carrapatos está no solo, assim apenas 5% está no hospedeiro, podemos adotar medida em nossas pastagens para diminuir a população, a utilização de roçadas periódicas nas pastagens podem dificultar a subida desses aracnídeos, a exposição das larvas aos raios solares faz com que diminua a viabilidade de eclosão dos ovos, além disso, embora exija uma organização muito grande, um manejo que possibilite alguns piquetes em pousio por até 3 meses faz com que exista uma quebra muito abrupta na população, pois diminuísse a oferta de hospedeiros. Outra técnica profilática, que nos dias de hoje mais do que nunca tomou uma popularidade enorme, é a utilização de vacinas, claro essa precisa ter eficácia comprovada mediante a o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), mas só isso não basta, é preciso fazer valia de manejos como quarentena para animais que venham oriundo de propriedades infestadas e, animais que nunca foram expostos pois, um favorece a proliferação na sua propriedade e o outro é mais suscetível a doenças que o carrapato é vetor. Para ter um controle químico mais eficiente. De acordo com Pappen (2011) ocorre atualmente um crescimento contínuo dos casos de resistência à grande parte dos princípios ativos utilizados no controle do carrapato dos bovinos, a realidade no dia a dia das fazendas é que o carrapato não é mais suscetível à grande parte dos acaricidas, as aplicações são aleatoriamente impostas pelos proprietários, que tentam resolver de forma cara e ineficaz o problema e, em última instância, procuram orientação dos veterinários e laboratórios de diagnóstico. Sendo assim, uma prática que deve ser adotada é o exame biocarrapaticidograma, que possibilita a utilização de um princípio ativo mais eficaz no controle desse patógeno, claro que o controle químico necessita de um monitoramento nos animais, para a identificação de um momento ideal de aplicação, porém, a utilização de protocolos em muitos casos se mostram eficaz. Para dar fim ao assunto salientamos que a organização é imprescindível nesse processo, buscar ajuda de mão de obra especializada e traçar um plano de controle anual, tende a ser uma forma mais eficaz de ‘‘lidar’’ com esse problema.

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