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Exportação e ciclagem de nutrientes com foco na pecuária

Para que possamos produzir na terra, são necessárias algumas medidas a se tomar, e uma delas é adubação e correção de solo. Para a produção das plantas, seja o arroz, a soja, as pastagens ou as hortaliças, é necessário nutrientes para elas crescerem, se desenvolverem e chegarem a sua máxima produção.

É sabido que cada cultura tem as suas próprias limitações em fertilidade, como pH, macronutrientes e micronutrientes, sendo que as quantidades exigidas de nutrientes diferem de acordo com cada planta. Uma peculiaridade é que as gramíneas necessitam de mais Nitrogênio que as leguminosas e neste contexto cada planta tem sua taxa de exportação condizente.

Quando se fala em exportação de nutrientes refere-se a todo nutriente retirado do solo pelas plantas, tanto de grãos como pastagens, não retornando ao solo através do ciclo natural, de forma que tenhamos que repor esses nutrientes através de adubações.


1- Quanto o gado exporta de nutrientes

As forrageiras possuem diferentes exigências, que aumentam quando os animais estão pastando. Esse pastejo gera custos ao solo, sendo que cerca de 10% é exportado para produção de carne e em torno de 25% para produção de leite, retornando ao solo uma parcela de 75 a 90% pela excreção. Vale ressaltar que dos nutrientes excretados, grande parte é perdida por lixiviação, volatilização, fixação e/ou erosão.

Existem outros fatores que também vão afetar na exportação de nutrientes do solo, bem como na excreção deles, como: a dieta que o animal recebe, a forrageira que está sendo utilizada e o sistema de produção. Animais submetidos a dietas de baixa qualidade excretam maiores proporções de N e P ingeridos do que animais submetidos a dietas de alta qualidade.

        De modo geral, o Nitrogênio é excretado de maneira significativa nas fezes e na urina. Potássio, Cálcio e Magnésio são excretados nas fezes e Potássio é excretado em maior quantidade na urina.


2- Ciclagem de nutrientes

Entende-se como ciclagem de nutrientes o processo de absorção de nutrientes disponíveis no solo pelas plantas, sua translocação interna e uso pela planta, e nessa etapa os nutrientes estão na fitomassa da planta, ou seja, estão fixados a ela, e retornam ao solo quando a planta entra em senescência. Esse ciclo de absorção e deposição tem influência direta com a quantidade de adubo que teremos de colocar para propiciar um bom desenvolvimento da próxima cultura. Quanto maior for a exportação de nutrientes pelo sistema maior será a quantidade requisitada a se colocar de adubo, assim como quanto menor a exportação menor a necessidade de adubo na área.    

   A relação de exportação de nutrientes e a quantidade de adubo requerido para um próximo cultivo é direta. Visto que se a fertilidade da área em questão estiver no nível ideal, devemos apenas repor os nutrientes exportados pelos cultivos e uma menor quantidade de nutriente que é perdido pelos processos naturais do solo como a lixiviação. Essas adubações devem ser feitas tendo como referência a análise de solos, a cultura que irá ser implantada, bem como a estimativa de produção desejada.


3- Fertilidade das áreas

Em uma pastagem, nosso foco na publicação de hoje, encontramos um sistema complexo, onde o êxito é resultado de uma relação entre o solo, a planta e as adubações, ainda dependendo de outros fatores como água, quesitos físicos e biológicos do solo, dentre outros.

Um fato interessante é que a maioria das nossas pastagens são resultados de introdução de novas espécies que por vezes tomam conta da área excluindo as espécies naturais. Isso é de grande valia para nós, devido ao fato que ao introduzirmos espécies de nosso interesse, geralmente com maior produção de massa de forragem e de melhor qualidade, agregará muito na produção.

Muitas vezes a pastagem é vista como menos importante frente a culturas destinadas a grãos como arroz, soja e milho, porém todas são importante no seu tempo. Quando plantamos uma forrageira devemos ter em mente que também é uma cultura que possui requisitos assim como uma cultura destinada a grão, nesse contexto devemos suprir exigências nutricionais para que ela tenha um bom desenvolvimento e tenha a possibilidade de expressar o máximo de seu potencial produtivo.


4- Prós e contras de adubar a pastagem (Adubação de sistema)

No sentido em que devemos dar condições para a planta forrageira se desenvolver assim como uma cultura destinada a grão, nós temos a expressão máxima das características produtivas da planta, e isso traz consigo inúmeros benefícios. Nós temos uma maior carga de peso vivo animal por hectare o que será mais lucrativo para o produtor, temos uma maior capacidade de rebrote das plantas, isto é, a planta após ser pastejada ela vai recuperar seu porte mais rapidamente comparado a uma planta que não possui seus requisitos nutricionais atendidos e também a pastagem atingirá a altura ideal para o pastejo mais rapidamente para entrada dos animais.

Hoje, é mais perceptível que nossas áreas naturais estão com menor fertilidade que a anos atrás, devido a exploração ao longo de muitos anos. Assim, o Brasil sendo um país tropical, possui uma fertilidade de solo menor se comparado a outros lugares no mundo como a Europa, Canadá e norte dos Estados Unidos. De algumas décadas para cá o estudo sobre a fertilidade e a prática de adubação cresceu exponencialmente e atualmente temos incontáveis áreas com uma fertilidade elevadíssima, onde os produtores fazem apenas adubação de reposição. Porém, em contrapartida encontramos ainda hoje áreas em péssimas condições quando trata-se de fertilidade.

5- Por que adubar a lavoura e a pastagem e quando adubar só a pastagem

Hoje em dia encontramos produtores, que utilizam o resíduo da adubação da lavoura para a pastagem, o que é um pensamento muito delicado, visto que as culturas destinadas a grãos tem uma exportação de nutrientes muito grande. Quando comparamos uma exportação nutricional de uma cultura de grãos e uma de forrageiras, são significativas as diferenças, levando em consideração que na produção de forragem, parte desses nutrientes podem ser devolvidos ao solo por meio da excreção de animais dentro dessas áreas.

Nesse contexto, dependo da quantidade de adubo colocado na lavoura pode sobrar no solo alguma parte que não foi exportado para a cultura de inverno, mas normalmente não é o que acontece. Geralmente, a extração das duas culturas é muito superior a correção feita para apenas uma, gerando forrageiras subnutridas que não expressam toda a produtividade que poderia ser explorada. Além disso, estamos fazendo com que a fertilidade das nossas áreas estejam em decréscimo, pois está se retirando do solo mais do que está se colocando ou no melhor dos casos, está repondo tudo que foi extraído para o cultivo de verão, sendo que essa adubação “pesada” de certa forma poderia ter sido parcelada para expressar ao máximo as características produtivas das culturas de verão e de inverno.

Mas temos outras opções para os manejos de adubação, sendo que podemos realizar as adubações “parceladas”, uma para o cultura de grãos e outra para a forrageira, sempre atendendo as exigências nutricionais das plantas, com esse manejo estamos diluindo o custo das adubações, que tem um alto preço na produção, e através desse manejo vamos além, como já mencionado a exportação feita pelo gado é muito pequena devido a alta taxa de ciclagem, desse modo o adubo colocado na pastagem, muito sobrará para o cultivo de verão, com isso, temos dois cenários com diferentes possibilidades Podemos fazer uma análise de solo e colocar o que o cultivo de verão vai necessitar, que será menos, levando em consideração a sobra de nutrientes pela forrageira ou podemos colocar uma quantidade “tradicionalmente” exigida pela planta e desse modo aquele resíduo que será da pastagem vai ser um acréscimo a fertilidade natural.

   Através desse último manejo de adubação descrito podemos elevar as fertilidades naturais das nossas áreas, chegando a um ponto que possibilitará ao produtor fazer apenas adubações de manutenção. Há produtores que fazem adubações apenas nas pastagens, tendo os cultivos de verão e de inverno contemplados nutricionalmente. Então tem-se um leque de opções de manejo, visando sempre o bom desempenho das culturas.


Considerações finais

Dentro contexto da exportação e ciclagem de nutrientes para pecuária, percebemos que há uma grande diversidade de manejos que possibilitam um melhor aproveitamento dos nutrientes.

        Com isso, é perceptível que a extração realizada pelas forrageiras é de menor quantidade se comparada com a produção de grãos. Assim, é possível utilizar as pastagens como um aliado na produção de grãos em cultivos de verão, ou seja, produzir o ano inteiro contemplando as exigências nutricionais de diferentes cultivos, sem que o solo se esgote nutricionalmente. Sendo assim, passa a ser necessário um bom planejamento, bem como uma análise de solos e recomendação correta, podendo esta ser realizada de maneira estratégica.

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