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Aqui no sul é hora de colher figo


A figueira é uma planta subtropical e tradicionalmente cultivada nas regiões sul e sudeste do Brasil, porém com cenários otimistas à expansão, devido à adoção de eficientes técnicas de manejo da irrigação e de condução dos pomares.

A destinação dos frutos das figueiras determina o estádio de maturação ideal para a colheita: os figos verdes se destinam basicamente à industrialização de doces em compotas, os inchados são usados para a produção do figo-rami (espécie de passa de figo) e os maduros são destinados à produção de doces em geral (figada) ou para consumo in natura.

A produção se concentra no Sudeste de novembro a abril e, no Sul do país, de janeiro a abril. Um pomar bem formado, depois do sexto ano de idade, pode produzir 20 a 30 toneladas de figos maduros/ha, o que equivale a 15 a 25 kg/planta, com estande de cerca de 1.600 plantas/ha.

A colheita e pós-colheita devem ser realizadas com extremo cuidado, evitando-se danos físicos aos frutos. Os frutos são retirados manualmente das árvores, um a um, com todo o pedúnculo e alocados em caixas de colheitas forradas (palha, espuma ou outro material). O látex ou “leite” produzido pela planta é irritante à pele, devendo a colheita ser realizada com proteção das mãos.

O figo, quando destinado à produção de figo em calda, figo-rami e doces é colhido 20 a 30 dias antes do figo para a mesa. A colheita é feita quando a cavidade central estiver completamente cheia; ou quando perdem a consistência firme e adquirem coloração arroxeada.


Curiosidade:


Você sabe como ocorre a polinização do figo?

Pelo fato de as flores do figo se abrirem internamente, elas precisam de um processo especial para serem polinizadas. Não podem depender do vento ou das abelhas para transportar seu pólen. É aí que entra a vespa-do-figo (Blastophaga psenes), a relação figo-vespa se resume ao fato de que nenhum dos dois é um reprodutor muito eficiente.

A vespa-do-figo fêmea penetra o figo masculino –os figos masculinos não são utilizados para consumo humano – para pôr seus ovos ali. O figo masculino tem um formato próprio para acomodar as vespas quando põem os ovos. As asas e antenas da vespa fêmea se quebram e caem quando ela penetra na pequena passagem de entrada no figo, de modo que, uma vez que ela entrou, não tem como sair. Cabe às vespinhas bebês levar o ciclo de vida adiante. As vespas machos nascem sem asas, porque sua única finalidade é acasalar com as vespas fêmeas e cavar um túnel para as fêmeas saírem do figo. São as fêmeas que saem do figo, levando o pólen com elas.

Se uma vespa-do-figo penetra por acidente em um figo feminino (estes são os utilizados para consumo humano), em vez de um masculino, não há lugar para ela se reproduzir no interior do figo e ela não pode fugir, porque suas asas e antenas foram arrancadas, então ela poliniza o figo e acaba morrendo.

Isso não significa que o figo que comemos possui vespas mortas em seu interior, pois a planta produz uma enzima chamada ficina que decompõe o corpo da vespa em proteínas utilizadas no metabolismo da planta. As partes crocantes do figo são, na verdade, as sementes dos frutos. Atualmente o figo-roxo é a única variedade cultivada no país que não depende de polinização para se desenvolver. Os figos produzidos sem polinização não apresentam sementes e não envolvem vespas em seu desenvolvimento. Então você não deve deixar de consumir esse fruto gostoso e saudável.


Fonte: Sebrae – o cultivo e o mercado do figo (adaptado); Exame – você não vai acreditar quando souber o que são os figos (adaptado); Embrapa – Brasil estudará vespinha para polinizar figo (adaptado); Figweb – ciclo de vida de espécies dióicas (adaptado); Hortifruti – Figo: desvendando os mistérios desse alimento (adaptado).

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